Muito se falou… anteciparam, adiaram… mas acabou a espera.

A Amazon, gigante e atualmente vencedor no jogo do e-commerce global chegou ao Brasil. Ainda de maneira tímida, vendendo somente seu Kindle e e-books, onde consegue preços competitivos e em base de impostos competitivas com seus concorrentes locais.

Jeff Bezos

Muitos falam que a Amazon chegou para tomar o mercado de assalto. Que em um ano derruba a B2W e a Nova Pontocom (Ponto Frio, Extra e Casas Bahia), que vai “jantar” a Saraiva… vamos analisar isso?

É claro que a Amazon não veio para o Brasil só para vender e-readers e e-books. Nem existe um mercado pronto para tal – a taxa de penetração deste segmento é ínfima, deve crescer substancialmente nos próximos anos, mas existe o laptop e os tablets como opções com mais recursos e com uma evangelização mais assertiva ao público. Além disso, ainda existem poucos títulos nacionais no formato e-book e uma certa resistência de varejo e editoras para a migração de seus conteúdos.

Finalmente entre nós!

O desafio da Amazon está, contudo, em aumentar seu portfólio de produtos e oferecer no Brasil a mesma experiência de outros lugares do mundo. Poucos como ela souberam explorar o fenômeno da Cauda Longa (poucos item com grande volume de vendas com margens reduzidas, mas que garantem a perenidade da operação, e muitos item com venda baixa mas com lucratividade suficiente para remunerar seus sócios). E para ela realizar isso ela precisa de bons acordos com fornecedores de todos os tipos – de eletrônicos a editoras e gravadoras.

Jeff Bezos foi um dos pioneiros na venda de produtos na Internet, em meados dos anos 90. Neste caso, a própria curva de penetração da internet nos EUA e no mundo foi balizador de seu sucesso, atrelado a um atendimento que falaremos depois. No Brasil encontrará pelo menos três redes (Cultura, B2W e Nova Pontocom) consolidadas e com alguma disposição em dificultar, via negociações com seus fornecedores, a entrada competitiva e a formação de bons contratos da Amazon no país.

Por isso o suposto interesse dela na Saraiva. Provavelmente nunca veremos uma loja física da Amazon. A Amazon não quer as Megastores. Ela quer a rede de contratos da Saraiva, o que a permite instalar-se já com porte suficiente para impor seu ritmo de desenvolvimento de mercado e da base de clientes.

São os contatos, e não as lojas, que interessam à Amazon ao sondar a Saraiva.

Problema é que a Saraiva, além de saber a utilidade que teria à Amazon, o que por si só eleva o preço de uma suposta venda, quer livrar-se toda a operação. O esforço para revender as lojas físicas e alguns outros ativos talvez não compense o esforço adicional para levar a Saraiva em regime de “porteira fechada” – com tudo o que tem lá dentro.

Essa é a equação que Alexandre Szapiro – ex-presidente da Apple no país e convocado para a liderança da Amazon – está tentando resolver agora. Ser simplesmente uma versão em português do site original não rola. O custo em impostos é alto demais para tal. Como a Amazon é grande ela tem duas opções – e isso serve de aprendizado incluse para quem está começando a empreender:

  1. Começa por baixo, entrando num segmento com baixa concorrência que os grandes ainda não tem expertise, apesar da penetração (e-readers), adquire conhecimento, reforça sua proposta e fortalece sua base de Clientes brasileiros em sua base de dados global;
  2. Simplesmente abre a carteira, sai gastando tudo, compra alguém (além da Saraiva, a FNAC estaria supostamente a venda. Aliás, globalmente) e vai pra cima dos grandes tubarões do mercado.

Jeff Bezos já foi “startupeiro”. Na época não tinha Estratégia do Oceano Azul, Lean Startup ou Customer Development. Mas foi tão esperto quanto espero que você seja ao escolher uma das duas opções acima para acelerar seu projeto. 😀

A Amazon começar num segmento pequeno tem muito mais a ver com seu projeto empreendedor do que imaginas.

Hoje, no Brasil, ele tem apenas uma diferença em relação a você no que tange ao lançamento: ele já tem validada por um público muito interessante (f0rmador de opinião e, em boa parte, já usuária da Amazon nos EUA) do incrível atendimento ao Cliente proporcionado. O e-mail marketing com conteúdo bacana, as recomendações com base no algoritmo atrelado a sua busca e de outros usuários, o atendimento pessoal bem feito e dedicado – ele que trouxe isso para o e-commerce e o mundo replicou.

Ele está agora apenas trazendo-o para um dos mercados mais efervecentes do planeta no segmento – crescendo mais de 10% aa há vários anos e com adesão crescente na população – a Classe C ainda não descobriu ou confiou plenamente no mercado eletrônico, por exemplo. O e-commerce no Brasil ainda é uma Amazônia, com um espaço vasto a conhecer. Não à toa, fundos de grande porte como Intel Capital, Rocket Internet e o Peter Thiel (primeiro investidor do Facebook) entraram no país pela porta do e-commerce.

Boa sorte ao Jeff Bezos e a Amazon no Brasil. Com certeza causará com o devido tempo um belo barulho no mercado. Força a concorrência a reinventar-se. Os stakeholders a adaptar-se. E os consumidores às melhores compras!